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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

DESTRUIÇÃO, ELITISMO E MAIS ABUSOS NO RIO DE JANEIRO

As obras para as Olimpíadas no Rio de Janeiro incluem a destruição de uma área natural no Bairro da Barra da Tijuca para a construção de um elitista campo de golfe.

Como não bastasse tal absurdo e agressão, a Prefeitura do Rio de Janeiro autorizou o fechamento idem cerceante e elitista de uma rua pública, bem aos moldes dos falsos condomínios.

Notem a relação com incorporadoras (Cyrela) e vários políticos e outros interessados em poder neste fato.

A especulação imobiliária e a elitização atuam em conjunto para o prejuízo dos interesses e dos direitos da maior parte da População.

"OCUPA GOLFE DENUNCIA
Condomínio Riserva Uno e RJZ Cyrela ambos mancomunados com a Prefeitura e a mando de Eduardo Paes, FECHAM OUTRA RUA PÚBLICA, cerceando o direito de ir e vir dos cidadãos.
Com uma correia, diversos bastiões de plástico e seguranças do condomínio privado, fecharam a rua ao lado do Riserva Uno que dá acesso a Lagoa, ou seja, estão tentando esconder a devastação da população.
Ontem a noite, quando ativistas ambientais foram soltar um gambá buscando reintroduzi-lo na mata, se depararam com a rua fechada, e seguranças tentaram nos impedir de ultrapassar a correia, um atentado ao nosso direito de ir e vir. Além da correia, foram instalados diversos tapumes na mata, impedindo o fluxo de animais, configurando CRIME!!!
Já abrimos uma rua, que também havia sido fechada, será que teremos que abrir outra??
Estamos elaborando mais essa denúncia ao Ministério Público Estadual.
"O que é público não se negocia."
Texto e fotos - #ocupagolfe



MRLL

domingo, 7 de dezembro de 2014

O Elitismo e suas Incoerências - Classes Excludentes-

A moradora alardeia a falta de uma cultura do uso ou não da bicicleta.
A moradora se refere a mãe dela que teria "80 anos" e que precisa descer e entrar num automóvel a ser estacionado e que as ciclofaixa impediria este acesso.
A moradora fala em consultar o moradores para a implantação de obras públicas.
O que está por trás destas colocações?
O uso da bicicleta é algo comum nos países mais evoluídos e traz benefícios enormes a saúde das pessoas e ao meio ambiente, ao contrário da cultura do automóvel, que é deletéria, isolativa, poluente.
Ao alegar que a mãe dela, idosa, seria prejudicada pela ciclofaixa, a moradora do Bairro de elite exclui as demais idosas dos bairros de não elite.
Os idosos deste outros bairros são menos favorecidos pela falta de acesso a meios de transporte coletivo e disto a moradora de elite não referiu.
A Estrada do Lutero em Cotia é um exemplo de via pública de transito regional, fechada sem plano de impacto, sem consulta a grande população, sem análise de outras soluções para o interesse coletivo.
A moradora se refere a um caso semelhante que é o fechamento de uma "unica via de acesso", como é o caso da Estrada do Lutero, caminho mais curto entre vários Bairros de sua região de localização.
Ora, como há dois pesos e duas medidas?
Quando algo interfere nos interesses das pessoas de certos bairros é preciso estudos e projetos, consultas a população?
Todavia, estas pessoas entendem que a "população" a ser consultada são apenas os proprietários de imóveis nestas vias em questão.
Quanto a interferência é a favor dos interesses deles idem.
Ambas as situações são excludentes, pois afastam a grande população e o interesse coletivo das decisões sobre impactos em áreas públicas.
A própria cultura do automóvel é excludente e individualista.
Olhem a matéria do Jornal Estado de São Paulo:
Moradores Reclamam de Ciclovia


MRLL

 

terça-feira, 18 de novembro de 2014

QUEREM VOTO?


As mentiras dos políticos deste país estão cada vez mais claras para a maioria da população.

No recente processo eleitoral de 2014 ficou clara a insatisfação das pessoas com este meio injusto e falho de escolher algozes do Povo.

Candidaturas são financiadas por dinheiro de empresas e partes interessadas na presença deste ou aquele candidato ou político no Poder.

Depois querem estas empresas, e partes diversas, receberem em troca o investimento feito nestas doações de campanha.

As eleições são um procedimento sujo. 

A mídia oficial manipula e ajuda na ilusão de parte das pessoas, alardeando a tal democracia que não existe.

Já é tempo de mudanças radicais.

O Povo deve ter mais participação direta nas decisões de seus bairros e vilas.

Isto é possível!

MRLL


sábado, 8 de novembro de 2014

Habitações e Destruição da Natureza em Ubatuba -SP

A pressão por exclusividade de uso de bens naturais e áreas é inerente ao sistema opressor e excludente. As melhores áreas são motivos de especulação e busca de lucros.

O crescimento da quantidade de condomínios e outros adensamentos habitacionais aumenta a necessidade de água.

Muitos deles áreas particulares legalizadas, ou seja tornadas públicas porém e apenas para que o poder público preste serviços básicos, como o fornecimento de água, por exemplo.

No mais, tornam-se áreas restritas ao uso dos favorecidos.

Falsos condomínios destruindo a Natureza.


link: INFORMAR UBATUBA




MRLL

domingo, 2 de novembro de 2014

As Eleições 2014 e o Resultado

Os falsos condomínios são privatizações de áreas públicas, entregues estas a associações de moradores.

As associações de moradores deveriam ser associações de bairro e atuarem em conjunto com outras associações de outros bairros para uma participação comunitária nos locais de moradia e lazer das pessoas.

Todavia, desvirtuadas do propósito inicial, as associações de moradores passam a ter características de atravessadores, de gerencias de áreas e, por sua vez, terceirizam parcialmente serviços de obrigação pública a empresas de segurança e de administração condominial.  

Em doze anos de governo do Partido dos Trabalhadores as privatizações promovidas nos governos do PSDB, partido antecessor do PT no Governo Federal e em muitos governos estaduais, antes questionadas e atacadas pelo PT, não foram revertidas. Até outras privatizações foram promovidas por este governo dito "social". 

Ora, um partido dito "social" e de "esquerda", termo este já bastante desgastado, que age assim em tanto tempo, não é o que diz e afirma.

Em sua campanha eleitoral de 2014, na disputa, o PT alegou este lado "social" de "avanço" em matérias de interesse de classes menos favorecidas.

Porém, o que se vê nos dados oficiais e na prática diária, nos registros históricos deste período, é um favorecimento muito maior a empresas, bancos do que a mínima retirada de parte da população da miséria para deixá-la na pobreza.

O governo petista alardeia a frase: "Pais rico é país sem pobreza" e mostra que ilude a população mantendo a pobreza, o subemprego com condições e salários aviltantes, que entrega programas de financiamento geridos em parte pelos bancos, que entrega programas ou bolsas miseráveis a parcela mais carente da população sem, contudo resolver a pobreza e a exploração.

Nesta exploração não resolvida pelos governos PT e PSDB no âmbito federal e outros nos âmbitos estadual e municipal, incluem-se os falsos condomínios.


reeleição de Dilma Rousseff, portanto não alterará o cenário dos falsos condomínios.  


MRLL

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Vote Nulo contra os falsos condomínios

Apoiamos a Frente pelo Voto Nulo




Nos atuais moldes, o sistema eleitoral brasileiro é decadente e ineficaz para a população.

O voto é a moeda que os políticos deste sistema querem para manter seus roubos e desvios éticos, promovendo as custas desta mesma população, prejuízos a todos nós.

Na Legislação eleitoral o voto é obrigatório. Quem não vai ao local de votação ou tem que justificar a ausência perante o Estado ou pagar multa, mesmo que irrisória. Caso contrário, há outras sanções e impedimentos que visam punir.


Ao mesmo tempo, os políticos deste mesmo sistema eleitoral são praticamente impunes quando flagrados nos desmandos feitos por concessão dos votos.

O Voto Nulo é uma maneira de manifestação legítima, sem riscos ao manifestante.

Diga não a ilusão.
Diga não aos interesses. 

Falsos condomínios foram criados para explorar áreas públicas antes livres.

Falsos condomínios foram criados porque políticos de péssima índole foram eleitos.
 
MRLL

Frente pelo Voto Nulo

terça-feira, 12 de agosto de 2014


MRLL


"Na prática, o líder partidário ordena e responde aos interesses do grupo dirigente minoritário e não aos da base. Como profissional do partido o líder preocupa-se mais com seu trabalho do que com suas promessas. O fato de ser dirigente leva-o a afastar-se da vida quotidiana da maioria das pessoas, o que o torna 'diferente'. Torna-se geralmente conservador, levando uma vida privada e desenvolvendo interesses da minoria dirigente. Esses líderes partidários, isolados nos escritórios, são facilmente corruptíveis pelos interesses das classes dominantes" 
(Maurício Tragtenberg)

"O voto representa a chave para abrir a porta do Estado e o meio para um partido se tornar o seu legítimo dirigente. 
O objetivo principal dos integrantes de partidos passa então a ser alcançar o poder do Estado e isso se torna possível através das eleições. Por isso o voto passa a ser desejado por aqueles que integram partidos políticos. 
Estes estabelecem uma luta cotidiana entre si e criam estratégias para conseguir o maior número de votos possível, cuja maioria dos votos lhe garante a ascensão ao poder do estado. A corrida dos representantes de partidos para conseguir voto se dá de várias formas (compra de votos, ameaças a eleitores, etc) mas a principal é através de propagandas políticas que são em sua maioria financiadas e autorizadas pelo Estado, o qual busca criar meios de tornar a sua divulgação ampliada.
Para isso criou leis para controlar e possibilitar o uso dos meios de comunicação para a propaganda política. Ocorre que alguns partidos que disputam uma determinada eleição são financeiramente mais poderosos do que outros, o que lhe dá a chance de vencer a eleição já que conseguirá ampliar sua divulgação, além da possibilidade da compra de votos, questão comum que perpassa a corrupção partidária em períodos eleitorais. 
Os partidos, com poder financeiro menor, criam conchavos com capitalistas que financiam suas eleições. Alguns conseguem ser eleitos e acabam ficando presos aos seus financiadores, os quais passam a interferir, de forma indireta, através do partido eleito, nas decisões do Estado."
(Robson Coelho)




MRLL

terça-feira, 10 de junho de 2014

OS MUROS DA COPA SÃO OS MESMOS MUROS DOS FALSOS CONDOMÍNIOS


OS MUROS DA COPA SÃO OS MESMOS MUROS DOS FALSOS CONDOMÍNIOS

MRLL

domingo, 8 de dezembro de 2013

DIREITO DE MANIFESTAÇÃO POLÍTICA X "LEIS CIDADE LIMPA"

Vários municípios tem legislação em geral denominada: "Leis Cidade Limpa".

Como são municipais, são Códigos ou Posturas sujeitas a hierarquia constitucional das leis.

Em muitas destas Posturas ou Códigos estão inclusas normas que restringem o uso de espaços de limites públicos para manifestação, seja política, seja publicitária comercial. Algumas Posturas municipais permitem afixação de faixas e cartazes para publicidade de cunho social.

Quanto a manifestação política, outras Posturas selecionam, discriminam as manifestações livres populares e permitem as manifestações de cunho político que seja de origem no atual sistema político-partidário-eleitoral vigente no país.


A proposta desta postagem é a discussão e ou fazer pensar no que esta limitação de manifestações políticas livres nos muros, postes, esquinas, espaços de visão pública, ruas, praças...pode significar restrição e tirania contra criticas do povo aos governos e ao Estado.

Por trás da cortina da "lei cidade limpa" pode estar algo muito mais deletério que a poluição visual.

MRLL
    

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

"No campo da cidadania social, a conservação do status quo social passava a exigir a eliminação do capítulo sobre a “Ordem Social” da Constituição da República."


O que esta coisa tem a ver com os falsos condomínios?

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Artigo

Neoliberalismo e manifestações: o que uma coisa tem a ver com a outra?

Os movimentos das décadas de 1970-1980 lutavam pela democracia e pelo Estado de Bem-Estar. Hoje, questionam a qualidade da democracia
por Eduardo Fagnani — publicado 09/10/2013 14:02, última modificação 09/10/2013 20:56
Entre 1998 e 2013, por diversas vezes as ruas ganharam, mas não levaram. As elites dirigentes várias vezes conseguiram mudar para conservar o status quo. Essas manobras, iniciadas na transição democrática, foram aprofundadas entre 1990 e 2002, quando se formou no Brasil o grande consenso favorável ao projeto neoliberal.
No campo político, inicia-se o longo ciclo de crise da democracia participativa, a mesma que agora, em 2013, está sendo contestada. Assiste-se, nessa quadra, à remontagem da tradicional coalizão que tem sustentado o poder conservador no Brasil. Políticos identificados com a ditadura e outros identificados com o projeto reformista democrático dos anos 1970 passaram a ser a base de sustentação do antagônico projeto liberalizante.
No campo da cidadania social, a conservação do status quo social passava a exigir a eliminação do capítulo sobre a “Ordem Social” da Constituição da República. O Estado mínimo, cerne da agenda liberalizante, é a antítese do Estado de Bem-Estar Social, cujos valores foram consagrados na Carta de 1988 (e, em tese, assegurariam o tal “padrão Fifa” exigido pelas ruas).
É verdade que o neoliberalismo corresponde à etapa da concorrência capitalista no contexto da globalização. Mas muitos autores sustentam que no Brasil houve opção “passiva” ao projeto. No próximo artigo analisaremos o caso brasileiro. Neste, serão privilegiadas as mudanças ocorridas no plano internacional.
A partir do final dos anos de 1970, a ideologia neoliberal ganha expressão no cenário internacional. Para José Luis Fiori, essa ascensão inicia-se nos anos de 1960, quando as teses de Friedrich von Hayek e Milton Friedman e de tantos outros começaram a ganhar espaço acadêmico, sobretudo nas universidades norte-americanas. O fator decisivo da passagem da teoria para a prática ocorreu com a chegada ao poder das forças liberal-conservadoras, a partir da vitória eleitoral de Margaret Thatcher (1979), Ronald Reagan (1980), e Helmut Kohl (1982). Nesse contexto, destacou-se o pioneirismo da experiência de Thatcher, organizada sobre o tripé da desregulação, da privatização e da abertura comercial. Nos anos de 1980, essas ideias foram consagradas pelas organizações multilaterais que se transformaram no núcleo de formulação do pensamento e das políticas neoliberais voltadas para o ajustamento econômico da periferia capitalista. O neoliberalismo ganhou expressão ainda maior após a queda do Muro de Berlim (1989). De lá para cá, essas ideias se transformaram no “pensamento único”, uma espécie de “utopia quase religiosa”, afirma o autor.
No plano econômico, a estratégia imposta aos países subdesenvolvidos para ajustarem-se à nova ordem capitalista mundial foi sintetizada no chamado Consenso de Washington, que impunha condicionalidades aos países periféricos para renegociação das dívidas externas agravadas pela crise de 1982. A readmissão no sistema financeiro internacional dependia da adoção de programa de “ajuste” macroeconômico ou de estabilização monetária, tendo como prioridade absoluta a obtenção de superávit fiscal primário que envolvia, invariavelmente, a revisão das relações fiscais intergovernamentais e a reestruturação dos sistemas de previdência pública. O ajuste macroeconômico era complementado por um conjunto de reformas estruturais voltadas à liberação financeira e comercial, desregulação dos mercados, privatização das empresas estatais e redução do Estado. No início dos anos 1990, essas regras já haviam sido impostas a mais de sessenta países, sobretudo da periferia subdesenvolvida.
No campo político, “o capitalismo transformado em sentido neoliberal minou as bases da democracia liberal representativa” e ocorre “ampla submissão da sociedade civil e do Estado à economia”, afirma Joachim Hirsch. Para ele, o processo de globalização é na essência um ataque às conquistas democráticas do século 19 e, sobretudo, do século 20. O objetivo exitoso da “grande contraofensiva neoliberal” era criar um sistema político-econômico livre de “interferências democráticas”. Estabeleceu-se “um sistema mundial de Constitucionalismo neoliberal” que, na prática, “retirou de cada Estado a possibilidade da influência política democrática”.
Nesse processo, o caráter do sistema político também sofreu modificações essenciais. O sistema fordista de “partidos populares", que aglutinavam amplos interesses sociais e procuravam influenciar os processos políticos decisórios, passou a ser “coisa do passado”. Esse modelo foi substituído pela ideia da “individualização“, impulsionada pelos próprios partidos, pela qual o comportamento de mercado penetra em todas as áreas da vida, desde a família até as escolas e as universidades. Para Hirsch, o indivíduo como “empresário de si mesmo“ torna-se a figura central das relações sociais.
Com a hegemonia dos mercados desregulados, a política deixou de tutelar a economia. A sociedade perdeu a capacidade de conter o ímpeto desagregador das forças de mercado. Na percepção dos críticos da Golden Age (1947-1973), “havia Estado demais, regulamentação demais, controles demais, sindicatos demais, proteção social demais, intervenção demais. Enfim, política demais!” A partir de meados da década de 1970, “a economia passou a se vingar da política”, afirma Frederico Mazzucchelli.
O neoliberalismo é um produto da “derrota da luta social”. A partir do final dos anos 1960, começou a haver certo incômodo com o poder dos sindicatos e com a interferência do Estado. Para Luiz Gonzaga Belluzzo, “a primeira coisa que Reagan e Thatcher fizeram foi derrotar os sindicatos”. Esse foi o fator decisivo para impulsionar o neoliberalismo.
De fato, o “ataque” aos direitos trabalhistas constitui um dos núcleos da ofensiva dos mercados.  “Na base de tal ‘redirecionamento’ estava a vontade de quebrar a espinha dorsal dos sindicatos e dos movimentos organizados da sociedade”, segundo Sônia Miriam Draibe. De acordo com Jorge Mattoso, configurou-se uma situação de “desordem do trabalho”, percebida pela crescente ampliação da insegurança observada em diferentes níveis: no mercado de trabalho, no emprego, na renda, na contratação e na representação do trabalho. Houve aumento das demandas pela “flexibilização” e desregulamentação dos mercados de trabalho, segundo Carlos Alonso Barbosa de Oliveira.
Outro foco da revanche dos mercados foi o Estado de Bem-Estar, tido como manifestação do excesso da intervenção estatal durante a Golden Age. O ideário do Estado do Bem-Estar Social foi esconjurado em favor do ideário do Estado mínimo, que representa sua negação: focalização versus universalização; assistência versus direitos; seguro social versus seguridade social; mercantilização versus serviços públicos; contratos flexíveis versus direitos trabalhistas e sindicais.
O núcleo do Estado mínimo é ocupado por políticas focalizadas de combate à pobreza extrema. Essa “estratégia única” também abria as portas para a privatização dos serviços sociais. Ao Estado cabe somente cuidar dos “pobres” eleitos pelos organismos internacionais (aqueles que recebem até US$ 2 por dia). Os que estão “acima” dessa arbitrária “linha de pobreza” precisam buscar no mercado privado os serviços de saúde, previdência, saneamento, transporte público, educação e outros bens e serviços sociais básicos.
O Chile foi o laboratório do paradigma liberalizante para os países subdesenvolvidos. Com base nessa experiência, desenvolvida no início dos anos de 1980 por delegação de Pinochet a Milton Friedman, o Banco Mundial elaborou o conhecido “modelo dos três pilares”. Ao Estado cabia somente atuar de forma focalizada no “pilar inferior”, onde se concentra a “pobreza” arbitrada pelas agências internacionais. Para os “pilares intermediários e superiores”, as “soluções” seriam ditadas pelo mercado. A privatização foi imposta para setores essenciais, como saúde, previdência, saneamento e transporte público. No Chile, a educação também foi privatizada. No caso da previdência, nos anos de 1990 nove países de América Latina e treze da Europa Oriental e Ásia fizeram as reformas paradigmáticas propostas pelo Banco Mundial.
O que isso tudo tem a ver com as marchas de 2013? De um lado, porque por esse processo se fez o esvaziamento da política e da democracia. De outro, pelas contramarchas impostas à cidadania social (o tal “padrão Fifa”). A Constituição de 1988 instituiu um sistema de proteção social inspirado nos valores dos regimes de Estado de Bem-Estar Social (Direitos, Igualdade, Universalidade e Seguridade Social). Mas isso passou a ser incompatível com o ajuste macroeconômico e a reforma liberal do Estado. Essas faturas estão sendo cobradas pelas marchas populares de 2013.
Eduardo Fagnani é doutor em economia e políticas públicas e professor do Instituto de Economia da Unicamp e coordena a rede Plataforma Política Social.

______________________________CartaCapital____________________________

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

O FINAL VAI SER FELIZ

Raquel Rolnik

A resistência dos cinemas de rua em São Paulo

Até 1900, as exibições de filmes em São Paulo eram feitas de forma ambulante, em barracões improvisados onde era instalado o cinematógrafo. Foi somente a partir desta época que as sessões passaram a ocupar locais fixos, especialmente em salões, cafés e teatros, como o cine-teatro Colombo, no Brás. As primeiras salas de cinema propriamente ditas da cidade foram inauguradas apenas em 1907, sendo a primeira delas o Cine Eldorado e, logo em seguida, o Bijou, na São João. Nos anos 1940, o número de salas dobrou em relação à década anterior, e nos anos 1950, as salas triplicaram: 154 novas salas foram inauguradas. Estas informações estão disponíveis no artigo “A relação da sala de cinema com o espaço urbano em São Paulo: do provinciano ao cosmopolita”, da urbanista Paula Santoro.
Hoje em São Paulo temos apenas cinco cinemas de rua em funcionamento: o Espaço Itaú, com cinco salas; o Reserva Cultural, com quatro; o Marabá, com cinco; o Cine Sabesp e o Cine Sesc. Lendo o artigo da Paula, lembrei-me imediatamente da falta que faz o Belas Artes, fechado em 2011. Na época, o proprietário, decidiu vender o prédio, aproveitando-se da altíssima valorização imobiliária na região. De lá para cá, formou-se um movimento pela reabertura do cinema que, como forma de pressão e resistência, conseguiu levar o caso aos órgãos de defesa do patrimônio cultural. No final de 2012, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) decidiu tombar a fachada do prédio. Isso dificultou os planos do proprietário, já que a possibilidade de fazer alterações físicas no imóvel tornou-se bastante limitada.
Recentemente, porém, soube que na última reunião do Condephaat, realizada no dia 12 de agosto, houve uma tentativa de “destombamento” do Belas Artes, mas não encontrei notícias mais precisas sobre o assunto. Enquanto isso, o Movimento pelo Cine Belas Artes (MBA) vem discutindo, no processo de revisão do plano diretor da cidade, a proposta de criação de uma Zona Especial de Preservação Cultural (Zepec), que incluiria a região do Belas Artes e seu entorno, facilitando uma solução que viabilizasse a proteção do prédio e seu funcionamento como cinema.
O drama do Belas Artes não é uma questão isolada. Não apenas cinemas, mas também teatros de rua viveram um esvaziamento, especialmente, nos anos 1990, época em que se iniciou oboom da construção de shopping centers na cidade. O argumento fundamental, “real e imaginário”, dessa mudança era a questão da segurança, afinal, em tese, os shoppings eram mais seguros e confortáveis que as ruas, relegadas a mero espaço de passagem de veículos e pessoas, não exercendo a função de espaços de permanência e convivência. Tenho certeza, porém, que o momento que vivemos hoje na cidade é outro. As recentes manifestações, e mesmo inúmeras mobilizações e intervenções anteriores que já reivindicavam a valorização dos espaços públicos, parecem mostrar que existe um desejo de mudança na lógica de construção de nossa cidade.

domingo, 4 de agosto de 2013