
quarta-feira, 23 de abril de 2008
terça-feira, 15 de abril de 2008
segunda-feira, 17 de março de 2008
sábado, 1 de março de 2008
ONDE ESTÁ O SENSO PÚBLICO?

“aqui é particular....”
Idoso, (“senhor”), referindo-se ao Bairro Paisagem Renoir II e III em 15/02/2008 por volta de 9horas e 30 minutos quando da correção da denominação da Estrada do Lutero feita pelo Movimento RenoirLutero Livre.
A matéria do Jornal Folha de São Paulo, edição de Sexta-feira 29/02/2008, caderno Cotidiano, página C11 mostra claramente o grau de conceito cidadão que não permitiu ao Prefeito da Cidade de Queimadas-BA distinguir o Privado do que é Público.
Mais faltam a educação e a Educação, e muito, no Brasil de hoje. Este mesmo Brasil 30-40 anos depois do “Milagre Brasileiro” que alardeava ser nosso País um “País do futuro”, futuro talvez previsto pelos governos da época, sem entrar no mérito ou não de terem sido governos militares. Se foi previsto este futuro, o da ignorância, então os militares eram mesmo um bando de sacanas que evitavam dar educação ao povo para que o povo não soubesse o quanto de força de reação e contestação poderia ter tido e tem.
Hoje, um idoso de seus 70-80 anos poderia ter sido um militar da mesma época do “Milagre Brasileiro”. E se não o foi, certamente foi um adulto e cidadão da época, com então 30 ou 40 anos de idade e viveu plenamente, também, os tempos da histórica ditadura militar do Brasil e da América Latina.
E por que não reagiram, ele e outros, naquele momento?
Hoje, seus filhos reproduzem aquilo numa versão do mesmo modelo básico de prepotência e abuso anti-cidadania, muito provavelmente assim educando seus netos.
Hoje, tratam seus prestadores de serviços como soldados rasos, escravos, uniformizados e obedientes à HIERARQUIA do comando destes que tiveram a sorte de nascer menos pobres ou de não precisarem tanto SERVIR para tentar mal sobreviver.
Hoje, seus filhos e o mesmo “senhor” não conseguem mais distinguir entre o que é PÚBLICO do que é PARTICULAR. E, infelizmente é provavel que seus netos também assim não enxerguem nunca.
Hoje, fazem renascer o autoritarismo da imposição de serviços que dão lucro para empresas, outros e políticos, tudo sem direito de livre escolha, configurando um TOTALITARISMO, (de Direita política da época), militarizado, desde que este método faz uma ocupação forçada e/ou concedida de áreas públicas, com origem em privilégios dados a uma banda social por mero alcaide de mesma estirpe.
Um prefeito que entende, erradamente, que os Bens Públicos são seus, que os funcionários públicos são seus empregados, que as viaturas públicas são seus carros particulares e de sua família, também doa ou empresta áreas públicas à exploração vil e imoral de minorias.
E empresta o que não é dele, conscientemente, inclusive assinando leis municipais e alvarás que oficializam o tal empréstimo.
No Bairro Paisagem Renoir II e III e em muitos outros do Brasil afora, o princípio anti-ético é o mesmo. Abusar do que é Público, principal e paradoxalmente, e se convier, contra o povo!
A solução é implantar por via educacional e por via informativa, agora e desde cedo, os conceitos de distinção, conservação e respeito entre o que PÚBLICO do que é PRIVADO ou PARTICULAR e punir os adultos faltosos dentro da Lei, tenham a idade que tiverem.
Dr. Ricardo Augusto do Carmo Salgueiro
Médico
p/ Movimento RenoirLutero Livre
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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
O Mal dos Homens- A Violência Assume Várias Formas
"(*) "lá" = no Bairro Paisagem Renoir II e III.
(**) sem conter-se e sem conter assinaturas.
Muitos se enganam que a proximidade de grandes centros urbanos impede atos de tamanha covardia e imoralidade. Em teoria civilizados estas Capitais que, respectivamente em relação a ambos os Movimentos e locais que ficam a aproximados 20, (vinte), quilômetros apenas destes centros, no caso do Movimento PreserveJP, Belo Horizonte e no nosso caso, São Paulo, em nada alteram ou inibem a ação deletéria de invasores e destruidores.
Diante de certas atitudes humanas é possível compreender, por exemplo, as serpentes, as paineiras e as rosas, que apenas vivem e se defendem de tal perigoso “bicho de duas pernas”.
Em geral, quando uma pessoa ou um grupo de pessoas tem seus interesses não atendidos ou ameaçados surge a ira dos descontrolados, a miséria dos infelizes, a desolação dos pobres, de alma e de tudo.

Não importa para certas pessoas e grupos que seus interesses tenham sido conseguidos e mantidos até certo momento por princípios anti-éticos e, no Brasil da falta de total educação, as mais das vezes, de maneira ilegal.
Quando tais pessoas não são “mimadas” por quem quer que seja; quando alguém mais forte, moralmente mais ético, mais cidadão, tem a iniciativa corajosa de argüir estes princípios agindo com legalidade, e mal do homem aflora à superfície mais claramente, não como uma nascente das águas claras da Cidadania e do verdadeiro Respeito, mas sim como águas poluídas da “maldade dos homens”; surge o mal que segundo alguns filósofos todos carregam em si, e assim ocorre uma péssima reação.
Esta reação é na grande maioria das vezes violenta. E esta violência assume várias formas: desde atos de bloqueio ilegal e político de ações cidadãs até destruição de bens, lesões corporais e assassinatos dos cidadãos atuantes, passando por ataques morais e até ataques supostamente legais com base nas brechas da Legislação brasileira.

O Movimento PreserveJP de Nova Lima, Minas Gerais (www.preservejp.blogspot.com) também tem sido atacado por aqueles de tentam destruir o Mundo. Lá destroem faixas que foram afixadas para informar a população quanto aos seus direitos combatendo de forma justa o loteamento irregular que assola com impacto ambiental e cerceamento de direitos da população a Reserva Natural dos Jardins de Petrópolis naquele Município de Minas Gerais.
No uso da mesma forma de violência, os ilegais da Sapar, Associação do Bairro Paisagem Renoir II e III aqui de Cotia, SP, atacaram com a queima de duas de nossas faixas em Novembro de 2007.

Gente, mais violência é a inépcia violenta da polícia, cada vez mais fazendo uma parte negligente no violento papel de afastar o Estado das Coisas Públicas, deixando os Cidadãos e Cidadãs à própria sorte e consciência.
Muitos já teriam perdido o auto-controle e revidado os atos imbecis de violência física, principalmente.
Mas o que move a maioria dos Homens e Mulheres destes Movimentos é o espírito de legalidade e paz verdadeira. Ao contrário e paradoxalmente, tiramos forças do lixo e da miséria dos fracos e violentos. Estes sim já perderam tudo, inclusive a razão!
Dr. Ricardo Augusto do Carmo Salgueiro
Médico
p/ Movimento RenoirLutero Livre
Comentários - envie e-mails para renoirluterolivre@ig.com.br
Olá, irmãos do Movimento RenoirLuteroLivre!!
Eu vi e li o texto. Excelente!! Parabéns e muito obrigado. Como já dissemos, é muito confortante e encorajador, saber que existem outros movimentos que compartilham conosco a mesma luta de resistência, com espírito verdadeiro de cidadania, ética e princípios. Estaremos divulgando o texto aos nossos amigos.
Um grande abraço a todos vocês,
Luís Lemos - PreserveJP - Nova Lima - MG www.preservejp.blogspot.com
ABAIXO:
Resposta pouco educada e violenta recebida pelo Movimento em 25/02/2008 por volta de 16Hs a e-mail enviado a uma imobiliária da Região da Granja Viana no qual questionava-se a venda de propriedades no Bairro Paisagem II e III ilegalmente com anúncio de do local como “condomínio”.
Observem o nível de Cidadania e a falta de razão quando uma pessoa precisa xingar e usar termos baixos para expressar seus "argumentos" :
____________________________________________________________
"Ô cara, vai tomá no seu ... !!!Pode ir lá no procon denunciar, voce pelo visto deve ser alguem que tem um terreno lá (*), e que não Quer pagar condomínio...Vai trabalhar seu vagabundo(**)"
_____________________________________________________________
(*) no Bairro Paisagem Renoir II e III.
(**) sem conter assinatura (s).
sábado, 16 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Comunicado número 19 (em Janeiro de 2008) FEVEREIRO 2007 - FEVEREIRO 2008 -Um ano do Blog do Movimento
domingo, 20 de janeiro de 2008
O sonhopesadelo (As "condominianas" - Dura realidade da "família Renoir")

Nas paragens deste “residencial”,
Com muito buraco, sem muro e sem portão
Pensam que são muito importantes,

Seqüestráveis até, de montão
Com muita teimosia e
A vida não é doce para quem acha
Que é uma espécie de “família Diniz”,
E sofrendo do próprio mal
Esta gente se engana
Sem Pão de Açúcar e sem dinheiro,
Comendo barro e poeira o ano inteiro.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
São Sebastião-SP-Abusos em Áreas Públicas- Culpa da Sociedade-
As escolas públicas e privadas, as famílias, certamente falharam e ainda falham desde algum tempo, no passar estes conceitos aos alunos e membros destas famílias.
Mesmo com poder aquisitivo e apesar deste poder aquisitivo, dinheiro colocado nas mãos erradas, estes desvios da legalidade continuam acontecendo, derrubando de vez o preconceito de que SÓ "pobre é que invade" ou que SÓ "pobre é que é bandido e ilegal"
As Leis em geral são bem feitas quando visam a preservação destas áreas e do direito de todos.
Porém, a corrupção nas Prefeituras e também nos Órgãos Estaduais e Federais, muitas vezes, favorece a implantação das irregularidades, altera e destroi o meio ambiente e cria novas tarefas para quem luta contra estas ilegalidades.
Observem o exemplo do que ocorre nos Municípios de São Sebastião e Maresias -litoral norte de São Paulo e muito provável e semelhantemente em outros Municípios brasileiros.
ASSISTA - Vídeo sobre ocupação de praias da TV Record-SP
CONSULTE -CÓDIGO FLORESTAL - LEI FEDERAL DAS FLORESTAS
p/Movimento RenoirLutero Livre
COMENTÁRIOS -ENVIE E-MAIL PARA : renoirluterolivre@ig.com.br
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
sábado, 29 de dezembro de 2007
DENÚNCIA A SAUDE PÚBLICA DE COTIA
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
CENSURAR = FILTRAR = CENSURAR = FILTRAR
Wladimir Herzog, jornalista, tornou-se um mártir e um símbolo de luta contra a censura a Imprensa com sua morte violenta quando preso numa repartição pública do setor de repressão policial da época em São Paulo.
Toda espécie de censura é e sempre será inaceitável!
...”Assim, sugiro ao jornal filtrar, para evitar de confundir o leitor, geralmente bem informado pelo Jornal d'aqui”.
(fonte edição número 470 – Jornal d’aqui –Granja Viana- Cotia-SP 21/12/2007)
A frase acima é trecho de uma carta enviada por um leitor de um Jornal regional de Cotia, (Região da Granja Viana), referindo-se a publicação em outra edição de outra carta de outro leitor, que por sua vez, se referia a um bairro do Município de Carapicuíba utilizando incorretamente para rotular tal bairro o termo “condomínio”.
Porém, o que vejo de grave neste trecho que faz parte da carta, apesar de em parte correta quanto a questão condomínio/não condomínio, é o que está debaixo ou atrás da palavra filtrar.
A palavra filtrar na transcrição acima deixa o seu uso mais corriqueiro que é no sentido de “limpeza”, “purificação” e “anti-poluição” para, num instante poluído de infelicidade passar por significado de – CENSURAR, TOLHER A AMPLA LIBERDADE DE EXPRESSÃO. Significa – “ACEITO LIBERDADE DOS OUTROS, MAS LIMITADA PELOS MEUS INTERESSES”. Significa- “SOU TOTALITÁRIO!” (no sentido controlador e ditatorial do termo).
No contexto da frase acima, a palavra filtrar é seguida pela colocação “para evitar de confundir o leitor” que vejo como uma desculpa como se o autor da referida carta tentasse esconder a real intenção de censura, tanto pela não utilização da palavra censura quanto pela dissimulação da “boa intenção” para com a interpretação do leitor, (sem tocar no erro do emprego desnecessário da preposição “de”). Ou seja, o autor da carta emitiu uma mensagem para o redator do Jornal e uma outra mensagem, esta, dissimulatória e ao mesmo tempo, indiretamente repreensiva e repressiva, para o leitor menos avisado.
Um país e sua Imprensa, os quais se dizem democráticos, não podem conceber fazer censura a manifestação legítima de leitores expressando opinião própria, mesmo que esta opinião não seja a mesma da Redação ou da Diretoria do meio de comunicação ou até mesmo da maioria dos seus leitores, qualquer que seja este ou aquela opinião.
Um jornal que quer fazer história, que queira deixar sua marca ou permanecer por muito tempo ainda no conceito e aceitação dos leitores, não pode aceitar imposição de censura em seu Conselho Editorial.
Muitas vezes, estes pequenos jornais regionais são dirigidos por jornalistas oriundos da antiga esquerda brasileira, aquela que acreditava no Marxismo, idolatrava Che Guevara e a Revolução Cubana e que até pouco tempo atrás, aceitava o totalitarismo típico da extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas como um regime e sistema de governo aprovável. Agora, expostos ao conflito da democracia x suas antigas ideologias, são obrigados a tenderem para o lado político mais forte, o da democracia, e sentem-se muito mal quando alguma coisa traz à memória deles os tempos de repressão que sofreram, numa espécie de tortura do passado ressurgido no futuro.
A classe média brasileira não é um monumento contra a hipocrisia e age bastante demais com meios que são justificados pelos fins e pelas circunstâncias.
Atos de violência continuam sendo praticados mesmo após a evolução do cenário político brasileiro, como exemplo o que a classe média de um bairro fez com duas faixas de manifestação livre, legítima e democrática do Movimento RenoirLutero Livre em Novembro deste ano.

Grupos étnicos constituintes desta faixa sócio-econômica até historicamente já foram assolados por preconceitos e exclusão, censuras de todo tipo, discriminação de raça e de idéias, mas nem por isto se lembram da própria história para aplicar princípios de igualdade para com outrem. Vale mais para eles a manutenção dos seus interesses pessoais ou do grupo atual e menos vale a preservação das liberdades democráticas, idem duramente conseguidas pelo povo brasileiro.
E mais, significa para a Imprensa que aceitar tal “sugestão”, um risco e uma ameaça à qualidade de seu conteúdo de informação e uma provável descrença de muitos em seu padrão de jornalismo.
É REPRESSÃO À LIBERDADE E AO DIREITO DE MANIFESTAÇÃO? (com gradações de violência).
Site interessante sobre o assunto: http://www.direitoacomunicacao.org.br/
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
domingo, 16 de dezembro de 2007
Um homem e sua ferida
“O mal é como as mulas: teimoso e estéril”.
Victor Hugo
Era uma vez, há muito tempo, um homem velho que vivia de pedir esmolas numa rua de uma cidade qualquer deste imenso Brasil.
Para conseguir as contribuições colocadas, uma a uma, em uma lata que antes fora de vermelha e doce goiabada, o tal homem utilizava do artifício de impressionar as pessoas expondo, como que em oferta comercial, uma enorme ferida em sua perna direita.
A ferida, na verdade uma úlcera de varizes, infectada e semi-tratada, que produzia pus e algum sangramento o que fazia aumentar a expressão de sua miserável condição e também trazia moscas em ataque que o homem espantava.
Mas a tal ferida lhe era querida, pois garantia a subsistência do homem e de sua mulher. A dor era até pouca e suportável perante os benefícios oriundos daquele, digamos, negócio.
Um dia, chegaram uns membros de um movimento de luta contra exploradores de bolsões de mazelas e de atendimento a pedintes de rua. Ofereceram ao homem atendimento médico e possibilidade de outro trabalho o que seria parte do fim daquela coisa.
O homem, temeroso de ser taxado como pilantra, foi como que obrigado a acompanhar, pelo menos uma vez, aquelas pessoas do tal movimento.
Um médico o atendeu e constatou que a ferida era curável, pois bastavam bons e limpos curativos e alguma medicação por uns dias e com paciência tudo estaria resolvido, podendo o pobre homem conseguir outra ocupação que não a de pedinte, vítima de uma ferida.
Ao chegar a sua casa, sua mulher perguntou:
-Então, foi até o médico?
-Fui.
Disse o homem.
-O que ele disse sobre a sua perna?
-Vai ficar boa se eu quiser tomar um remédio e se eu fizer uns curativos.
O homem pensou em parar com tudo aquilo, em procurar meios mais honestos de ganhar a vida, de ganhar afeto e calor. Mas já tentou de tudo, arriscou-se e fracassou e lembrou-se de ter sido um dia explorado por um mendigo de rua que lhe pediu esmolas e mandou depois rouba-lo num assalto.
Porém, apesar disto tudo e além da sórdida vingança, o miserável aprendeu a gostar daquela coisa de pedir esmolas nas ruas. Sentado ou deitado ao calor sol, agasalhado nos dias de frio, nenhum esforço ou risco maior de alguma perda nem o abismavam.
Ainda mais, o mostrar a ferida dava-lhe além de dinheiro, um certo calor do carinho, o agasalho de uma certa atenção das pessoas. Ele gostava de ser uma espécie de espetáculo, de “estrela do show” perante os olhares piedosos das mulheres e dos homens. Gostava de ser vítima daquela ferida crônica.
O homem pegou os remédios e disse que faria os curativos.
Mas a cada noite após seu “trabalho”, no escondido de seu quartinho, cavoucava a ferida anulando a cura que teimava em acontecer e reavivava aquela doença, sua parceira, sua “muleta” do dia a dia e cada vez mais fugia do tratamento médico que lhe ofereciam.
E assim, voltando para a rua, o seu negócio da ferida cada vez mais prosperava. Agora era o mais conhecido pedinte das ruas da cidade!
Famoso! Nos jornais, a imprensa divulgava sua presença e sua mazela.
Ele tinha até sócios e empregados. Alugava o ponto comercial para outras vítimas de feridas, mediante certo percentual sobre as contribuições, e ocupavam a via pública com seu asqueroso espetáculo.
Quando vinham os fiscais da Prefeitura para tirá-lo dali acabando também com seu bolsão de miséria, o homem contatava um secretário do Prefeito, pagava certas moedas e tudo continuava na mesma. Até conseguiu uns trechos de cimentos novos nas calçadas públicas, feito só para ele e seus sócios nos lugares ocupavam.
Os clientes eram cada vez mais contribuintes de um certo pedágio, mas como ele fazia questão de dizer, davam “parcelas voluntárias”.
O homem auto-geria seu negócio das feridas.
Agora, já não andava mais de ônibus ou trem: tinha seu carro que ficava em um estacionamento ali perto. Ao sair do "trabalho”, banhava-se em um hotelzinho de alta rotatividade das imediações, trocava de roupa e colocava bandagens limpas.
Mas, quem se recusava a dar sua contribuição, era taxado de “inadimplente moral”.
Um dia, observando uns administradores de negócios parecidos, o homem conseguiu cobradores aos quais pagava percentual. Estes cobradores perseguiam nas ruas as pessoas que não deram ou pararam de dar esmolas e aquelas que não davam dinheiro numa espécie de processo de cobrança, alegando serem impiedosos que enriquecem à custa de um pobre doente. Mesmo os que nunca passavam pelas calçadas das feridas eram cobrados como enriquecidos à custa de pobres pedintes. Hoje, o homem se diz o dono do assunto das feridas. Hoje ele é o presidente da associação nacional das vítimas das feridas e nem mais precisa expor a sua própria lesão que até não lhe incomoda mais. Agora, vive do sofrimento dos outros miseráveis pedintes das vias públicas.
Mas quem vê e conhece sabe que não passa de mais um infeliz!
A constatação da miséria da fraqueza é companheira inseparável da infelicidade:
(o autor)
Assim, como o homem da história, que é baseada em fatos reais do nosso País, certas entidades regulamentares, instituídas, evitam a cura das mazelas de que tanto se queixam.
Por que seria a existência deste estranho apego ao aparente grande sofrimento, pela miséria, pelo chão das ruas, pela condição de vítimas eternas de algo que não querem curar?
Lucros que lhes dão a sobrevivência? Atenção das pessoas? Interesses em outras moedas, políticas por exemplo, os votos colecionados para um futuro possível mas incerto?
Certas entidades que se dizem esforçadas lutadoras pela solução de problemas enormes, na verdade vivem da própria mazela que, cronicamente, denunciam e dizem combater. Mas o fazem até o limite da solução, já que a todo custo de dissimulação e efeitos, evitam atacar diretamente o problema para não curar “ferida dos lucros” extinguindo o mal, e estranhamente, sobrevivem deste mesmo mal.
Até algumas vezes tentaram curar o mal, mas o fizeram usando um procedimento ruim e fraco e perderam a chance de resolvê-lo para sempre.
E voltam ao mesmo mal. Até o aceitam, convivendo e moldando formas de fazer o mesmo mal, mas sob os olhares piedosos dos passantes que lhes atiram atenção e moedas de todo tipo e valor.
Dr. Ricardo Augusto do Carmo Salgueiro
Médico
p/ Movimento RenoirLutero Livre
Comentários para: renoiruterolivre@ig.com.br

















